Dicas para a quantena – Parte 1

Pra todo lado que olhamos é só notícia ruim; é pandemia,  bozonaro, zika vírus, bozominions, enfim, ser cidadão brasileiro neste período da história tem sido uma tarefa pra lá de árdua. Tem os dias que acordo achando que até mesmo a esperança por dias melhores é mera ilusão e que essa tempestade não só vai continuar, como também vai se tornar cada vez mais avassaladora.

Mas também tem os dias em que estou melhor, graças à companhia do meu amor, dos nossos doguinhos, das conversas (ainda que virtuais) com amigos e familiares, mas também com um pouquinho de alienação, que por sinal é o motivo desse post. São filmes, livros, música e séries que tem me ajudado a transportar meus pensamentos e ideias para bem longe dessa loucura toda e que resolvi compartilhar com vocês, a fim de que de alguma forma, alguma dessas dicas possam conseguir fazer o mesmo por vocês!

Talles from the Loop

A primeira dessas dicas é uma série estadunidense chamada Talles From The Loop. Uma rápida pesquisada no google sobre a série vai trazer na maioria dos resultados a palavra “perfeição”, e já adianto que tal palavra se encaixa perfeitamente bem com a série.

Com um visual deslumbrante, já que é baseada no livro homônimo do artista Simon Stalenhag, a série consegue a façanha de tratar temas como amor, abandono, cuidado, memória, solidão, enfim, temas super sensíveis de uma maneira poucas vezes vista numa série, de uma maneira super cuidadosa, mas que sempre nos toca com uma profundidade absurda, capaz de nos deixar reflexivos por muitos dias.

Ah, a direção primorosa é da Jodie Foster!

Para quem curte filmes/séries como: Inteligencia artificial, Chappie, A vastidão da Noite, Além da Imaginação, Amazing Stories, Lost

Onde ver: Amazon Prime

O sorriso da hiena

Uma coisa que eu não sabia e que descobri tempos atrás é que o mercado de livros do gênero thriller vive em ebulição constante, e já existem diversos canais no youtube onde é possível encontrar dicas perfeitas para cada gosto. Num desses canais acabei descobrindo o incrível “O sorriso da hiena”. 

Escrito pelo brasileiro Gustavo Ávila, o livro é daqueles que ao começarmos a ler, não conseguimos mais parar pois além de ser muito bem escrito , traz uma trama  intrigante e perturbadora, violenta e surpreendente. Não vou me alongar no mote, mas trata-se da história de uma criança que, amarrada, assiste ao terrível assassinato dos pais, e quando adulto, não só passa a fazer o mesmo que o assassino de seus pais, como também propõe a um psicólogo infantil especialista em traumas que este acompanhe e estude as crianças vítimas de seus crimes para tentar entender se ele havia se tornado um serial killer por conta desse trágico acontecimento em sua infância.

Para quem curte livros ou filmes de thriller psicológicos como Mindhunter, O Silêncio dos Inocentes, Seven, Sobre meninos e lobos, As duas faces de um crime, Por trás dos seus olhos

Onde encontrar: Nas livrarias e sites de ebook

The Sleepers

Mini série em 6 episódios, produzida pela HBO Europa e que traz o drama de uma mulher que retorna à Tchecoslovaquia após dez anos de exilio na Inglaterra,  bem no meio da Revolução de Veludo e que de repente, se vê no meio de uma trama envolvendo os serviços de espionagem da Inglaterra, a polícia secreta Tcheca e ainda o serviço secreto soviético.

A produção, como quase tudo que a HBO faz, é tecnicamente impecável, tendo a própria cidade de Praga quase como um personagem na trama. A caracterização  de época , dos cenários, vestimentas, objetos e principalmente a trilha sonora nos carrega a um dos epicentros do final da guerra fria e da queda da União Soviética.

Para quem gostou de The Americans, Chernobyl, O espião que sabia demais, O Homem mais procurado, O buraco da Agulha

Onde ver: Através do torrent mais próximo de você…

A Vastidão da Noite

A primeira impressão de “A vastidão da noite” remete obviamente a algum episódio da saudosa série “Além da Imaginação”.  Mas logo você passa a perceber elementos técnicos como fotografia, trilha sonora, os incríveis planos sequencia, e então percebe que está diante de algo maior, muito maior.

O filme acompanha a noite de dois amigos de uma pequena cidade estadunidense durante a década de cinquenta, um locutor da rádio local e uma estudante que que ajuda a mãe no trabalho de telefonista.

Enquanto a cidade toda está no ginásio acompanhando o jogo de basquete entre o time da cidade e os visitantes, os dois descobrem estranhos sinais vindos do rádio e partem para tentar descobrir aquilo que pode mudar a vida de ambos para sempre.

Para quem gostou de Além da Imaginação, Histórias Maravilhosas, Super 8, ET, Arquivo-X, Fogo no céu.

Onde ver: Amazon prime

IRA! – IRA

Treze anos depois do seu último disco de músicas inéditas, o Ira! volta em plena pandemia pra trazer um disco que já entra fácil entre os melhores da discografia da banda. Em ótima forma, a banda conseguiu fazer um disco que, ao mesmo tempo em que possuí toda energia e criatividade dos seus primeiros discos, também traz novos elementos e letras muito atuais e urgentes para o triste momento em que estamos vivendo no país.

Das dez faixas, destaque mais que especial para “O amor também faz errar”, que abre o disco, “Respostas”, “Mulheres à frente da tropa”, Efeito Dominó, A Torre.

Disponível em qualquer serviço de streaming….

Os filmes de Tarantino rankeados como discos…

Uma das características mais legais dos filmes do Tarantino são as músicas. Praticamente toda cena emblemática de seus filmes  conta com uma música foda tocando ao fundo que acaba tornando  experiência ainda melhor. Como pensar na cena do psicopata Mr Blonde  dançando e torturando um policial sem o som de Stuck In The Middle With You  de Stealers Wheel ?  Pensando nisso, criei esse singelo ranking..

 

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1º – Cães de aluguel –  É como um surpreendente primeiro disco de uma banda. Sucesso de crítica e público e responsa multiplicada para próximo trabalho. Poderia muito bem ser o primeiro disco do Black Sabath, que já nasceu um clássico.

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2º – Pulp Fiction – Com o peso nas costas do primeiro disco, a banda surpreende mais uma vez e lança um segundo trabalho quase tão bom quanto ao primeiro. Já ouviram Is This It do Strokes? Então…

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3º – Era uma vez em Hollywood – Aqui é como se a banda depois de vários trabalhos  bons (mas inferiores aos primeiros trabalhos), renovasse com a energia do começo trazendo  novas e bem sucedidas experiências musicais. Alguém pensou no Achtung Baby do U2?

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4º Jackie Brown – Na ordem cronológica, seria o terceiro trabalho de uma banda já consolidada que consegue mais uma vez repetir a qualidade dos discos anteriores, mas dessa vez, sem surpreender muito.  Algo próximo do Green Album do Weezer

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5º  Os Oito Odiados – Um banda que segue para sua terceira década de existência e que parecia seguir o caminho “mais do mesmo”, mas que acaba lançando um disco visceral. Se fosse um disco dos Stones, seria o Voodo Lounge, lançado em 1994.

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6º Kill Bill Volume I  e II – Um bom disco duplo que apenas reforça a qualidade dos músicos, mas que não trás nada de novo ao cenário, mesmo tentando fazer parecer o contrário, assim como foi com o The Wall do Pink Floyd

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7º Django Livre – A banda continua boa, mas segue no piloto automático, como qualquer disco gravado pelos Stones dos anos 80

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8º Bastardos Inglórios – Apesar de ser um sucesso e de trazer a mesma competência, é o trabalho mais fraco. Se fosse um disco de uma banda consolidada, este seria o Presence do Led Zeppelin.

 

 

Castle Rock (2018)

 

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Prestes a completar seus 71 anos de idade, Stephen King é um dos escritores que mais tem obras literárias transformadas em mídia áudio visual ao longo da história. Enquanto os anos 80 e 90 viram inúmeras dessas obras adaptadas para o cinema ou para telefilmes, com a popularização das séries de TV a partir dos anos 2000, os produtores passaram a enxergar as obras de King como nova possibilidades de se trabalhar (e lucrar muito), com suas incríveis histórias.

Ainda ativo como autor, o material escrito por King é tão extenso quanto irregular, o que talvez se justifique nas questões contratuais de mercado, onde a quantidade acaba sendo mais preponderante que a qualidade, e ele acabe sendo forçado a criar mesmo quando as ideias não sejam tão boas quanto em outras ocasiões.

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Essa situação envolvendo o mercado e a sua potencialidade criativa, de certa forma, e guardadas as devidas proporções, também evoca similaridades com a carreira de JJ Abrams. Roteirista, diretor e produtor, Abrams iniciou sua carreira ainda nos anos 90, como roteirista e produtor, mas foi somente em 2004, com o megassucesso da série Lost, que seu nome alcançou o reconhecimento do mundo do entretenimento.

Foi com o sucesso de Lost que Abrams teve a oportunidade de trabalhar com Steven Spielberg (Super 8), e produzir sucessos como filmes da série Missão Impossível (Missão Impossível III e IV), Star Wars (Star Wars VII e Os Últimos Jedi) e Star Treck (Star Treck e Into Darkness).

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Agora em 2018, ambos se juntam num projeto que parece juntar as potencialidades máximas de cada um dos dois e que resulta numa das melhores séries já criadas, a maravilhosa Castle Rock.

Idealizada num formato de antologia, onde cada temporada traz uma história e personagens distintos, a primeira temporada de Castle Rock é um verdadeiro primor. Mesclando atores consagrados como Sissy Spacek (Carrie, a Estranha), e Scott Glenn (O Silêncio dos Inocentes), e jovens jóias como André Holland (Moonlight) e Bill Skasgard (It, a coisa), a série é tecnicamente perfeita. A fotografia contribui o tempo todo para trazer a sensação de que existe sempre algo ou alguém à espreita e o roteiro, que pode muito bem ser comparado aos melhores livros de King, é muito bem amarrado, o que faz com que os personagens tenham suas narrativas trabalhadas na medida ideal, sem pressa e ao mesmo tempo sem enrolação.

A história acompanha o retorno de Henry Deaver (André Holland), à Castle Rock, cidade onde cresceu e que lhe traz terríveis lembranças, além de guardar mistérios a respeito de um acontecimento quando ainda era criança, onde ele esteve desaparecido por dias. Agora adulto, ele é advogado de pessoas condenadas à pena de morte, e logo que volta à cidade, se depara com o estranho caso de um jovem (Bill Skasgard) encontrado enjaulado nos porões da antiga penitenciária Shawshank.

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Quem viu a nova versão de IT (também escrito por King), e achava que o ator Bill Skasgard não poderia ser tão assustador sem a maquiagem de palhaço, vai se surpreender. Ao mesmo tempo em que aparenta uma enorme fragilidade, seu olhar e expressões são tão apavorantes que simultaneamente também expressam nele um ser poderosíssimo, prestes a realizar o pior dos males, e que de certa forma remete à alguns dos mais terríveis personagens já criados pelo autor, como Andrew Linoje de A Tempestade do Século e Percy Wetmore de The Green Mile.

E por falar em outros personagens do universo de Stephen King, a série pode ser ainda melhor para quem é conhecedor de outros livros do autor. A começar pela bela abertura que traz trechos de alguns de seus clássicos, ao longo da trama são jogadas inúmeras referências, muitas vezes de forma direta e outras mais sutilmente, que somente fãs mais atentos conseguem perceber. Estão lá as referências à Cujo, A Hora da Zona Morta, Conta Comigo e tantos outros, numa avalanche de easter eggs que acabam sendo mais um elemento para se aproveitar ainda mais a série.

Com a segunda temporada já encomendada, e a julgar pela extensa obra do mestre King, a série terá uma longa vida pela frente. E para nossa sorte, ainda existem muitos lugares escuros à serem explorados na fantástica e apaixonante cidade de Castle Rock.

Cotação

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As Boas Maneiras (2017)

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Nessa terceira parceria da dupla Juliana Rojas e Marcos Dutra, temos um filme que apesar de flertar diretamente com o gênero terror, também carrega consigo outros gêneros sem deixar que o resultado final seja um “genérico”, no sentido mais pejorativo da palavra.

Com uma trama muito bem escrita, “As Boas Maneiras” vêm desde o ano passado recebendo inúmeros elogios pelos festivais onde é exibido, mostrando não só a força do cinema brasileiro, como também indicando que existem muitos outros caminhos a se explorar no nosso cinema, marcado há muito tempo pela dicotomia cinema comercial x cinema alternativo, onde o primeiro refere-se aos filmes com o selo e atores globais, em que o entretenimento raso e o sucesso comercial são características, e o segundo, que apesar de trabalhar roteiros mais densos, é mal distribuído e muitas vezes sequer chega ao conhecimento do grande público.

Contrariando essa lógica, “As Boas Maneiras” é uma espécie de frescor, pois mesmo trazendo o selo Globo Filmes e tendo como uma de suas atrizes principais uma global, o filme foge à regra das produções comerciais com um roteiro estranho, quase bizarro, mas que ao mesmo tempo consegue expressar também poesia, fantasia e até mesmo crítica social.

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Em dois atos, o filme conta a história da relação de Ana (Marjorie Estiano) e Clara (Isabél Zuaa, excelente atriz portuguesa, filha de africanos), respectivamente patroa e empregada. Vivendo uma gravidez como mãe solteira, rompida com a família de fazendeiros e aparentemente quebrada financeiramente, Ana contrata Clara para ser babá da criança que está por vir, e como é de praxe nas relações de trabalho entre classes, Clara acaba por desempenhar também outras funções, como faxineira, conselheira e até como pintora de parede do quarto do bebê que está por vir.

A convivência diária faz com que Clara passe a perceber algo de estanho no comportamento de Ana justamente nas noites de lua cheia, o que de certa forma, acaba por estreitar a relação entre elas. Com personalidades bem opostas, mas com alguns traços em comum, Ana é o estereótipo de garota rica do interior. Vivendo uma vida de consumo e futilidades, não parece se preocupar com quase nada, exceto quando por muitas vezes se mostra temerosa, e até estranhamente  horrorizada com a gravidez.

Já Clara, parece ter um passado meio problemático. Sem família, vive numa casinha de fundos com a senhoria morando na frente,  e passa o tempo pressionada e tentando fugir das cobranças pelo aluguel que não consegue pagar. Mas apesar dos problemas financeiros, Clara é uma mulher muito sedutora, atraindo a atenção e desejo de outras mulheres sem precisar se esforçar muito para isso.

Ao mesmo tempo em que Clara vai conhecendo mais sobre o passado de Ana e da origem de sua gravidez, ela também passa a se mostrar mais atraída por ela. O trabalho que lhe “oferece” moradia, por outro lado também cobra uma dedicação quase que integral e logo Clara já não tem mais tempo sequer pra sua vida social. Então chega a hora do parto e do segundo ato do filme, que para não dar spoillers, não poderei oferecer muitas informações nesse texto.

Após o parto, o filme avança no tempo e passa a contar a história de Clara e de Joel, o filho do qual Ana estava grávida.

Vivendo na antiga e humilde casa de Clara, ela e Joel parecem levar uma vida normal, até que aos poucos a rotina deles vai mostrando que coisas muito estranhas continuam a acontecer e surpreender, como por exemplo, um pequeno cômodo escondido e correntes presas na parede.

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Repleto de referências a alguns clássicos do terror e da fantasia, o filme equilibra muito bem uma multiplicidade de gêneros e ainda assim consegue apresentar uma autenticidade ímpar em relação não só ao cinema nacional, mas também ao cinema internacional mais convencional.

Como já foi dito aqui, todos os elogios que tem recebido nos festivais ao redor do mundo, mostram que tão importante quanto fazer nosso cinema cruzar fronteiras, é fazê-lo com identidade própria, coisa que a dupla Juliana Rojas e Marcos Dutra sabe muito bem como fazer.

Veja o trailler:

A Cordilheira (2017)

“Se os Estados Unidos não podem controlar a América Latina, não podem esperar que exista uma ordem de sucesso em outras partes do mundo, ou seja, controlar o mundo completo”.

Noam Chomsky

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“A Cordilheira”, novo filme do diretor argentino Santiago Mitre, começa com uma cena que mostra um trabalhador tentando entrar na Casa Rosada para fazer uma entrega. Diante de muitos obstáculos que se confundem entre segurança e burocracia, ele finalmente consegue chegar até o local da entrega e então, um plano sequência conduz o espectador até o personagem de Ricardo Darin, que pela primeira vez ao longo de sua magistral carreira como ator, interpreta um presidente argentino.

Essa introdução, embora possa parecer num primeiro momento algo aleatório,  revela muito do que diz respeito à trama central do filme e principalmente, à trajetória de Hernan Blanco, personagem de Darin, cuja rápida ascensão política o levou ao cargo máximo do poder executivo argentino.

Mesmo não sendo a figura central da cúpula encabeçada pelo presidente brasileiro Oliveira Prete (Leonardo Franco), e composta por outros líderes da América Latina, Blanco tem papel importante justamente por ser uma espécie de incógnita, e que pode ser voto decisivo nos últimos ajustes que configurarão a Frente Petrolífera do Sul, nova e promissora aliança do petróleo com países latino americanos, aos moldes do que foi a OPEP.

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Porém, às vésperas de embarcar para as cordilheiras chilenas, local onde se realizará a importante cúpula, chega até os assessores de Hernan a informação de que seu ex genro ameaça divulgar à imprensa informações que comprometem em muito seu governo. É então que Marina (Dolores Fonzi), filha de Hernan, é levada para ficar com o pai no Chile, a fim de que esta fique afastada da imprensa e de possíveis complicações acerca da chantagem, embora a estratégia acabe por não surtir o efeito esperado, pois Marina acaba tendo um surto justamente nos momentos mais decisivos da cúpula.

Assim, acompanhamos os desdobramentos de duas tramas paralelas; o passado de Hernan, que espreita vir à tona após uma sessão de hipnose a que é submetida Marina após o surto; e a chegada em cena de um representante do governo estadunidense (Cristian Slater) que secretamente procura o presidente argentino a fim de propor um arranjo estratégico, na qual os Estados Unidos passariam a fazer parte da aliança petrolífera, mesmo com a maioria dos outros líderes discordando veemente dessa ideia.

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Apoiado firmemente num contexto histórico que ao longo de décadas teve os Estados Unidos influenciando direta e indiretamente os rumos políticos e econômicos de países latino americanos, o roteiro, (que prioriza mais aquilo que está nas entrelinhas, nos olhares, do que o que é propriamente dito), aproveita ao máximo a competência de atores como Daniel Gimenez Cacho, que faz o ardiloso presidente mexicano, Leonardo Franco, Erica Rivas, Alfredo Castro, e dada a proximidade com a realidade que vivemos hoje, onde a privatização é motor indutor das campanhas eleitorais, torna a trama ainda mais crível.

Claro que muito dessa credulidade funciona bem também por conta do onipresente ator argentino Ricardo Darin, que com mais uma atuação soberba, vai se firmando como um dos atores mais importantes do sul global, e cuja mera presença já é motivo mais que suficiente para assistirmos qualquer produção em que esteja envolvido, relegando à segundo plano até mesmo outros fatores importantes como direção, roteiro, etc.

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Para nossa sorte, este não é o caso de “A Cordilheira”, pois o filme funciona muito bem como um conjunto, onde trama, direção, fotografia e elenco mantém o bom nível do longa.

Infelizmente o filme peca na trilha sonora, exagerando consideravelmente a música em momentos de mais suspense, mas que não justificam tal intensidade, pois muitas vezes ela é usada como se estivéssemos prestes a presenciar a cena do chuveiro de Psicose. Se bem que por outro lado, a simples noção do Tio Sam corrompendo e agindo furtivamente sobre o futuro de nações latino americanas seja por si só motivo mais que suficiente para nos sentirmos aterrorizados, que os diga os anos de chumbo nas décadas de 60 e 70.

Trailler

 

 

 

Marrowbone (2017)

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Os últimos anos vêm sendo muito promissores no que diz respeito ao gênero terror. Desde que o chamado “new terror”, com filmes como Get Out, It Follows, A bruxa, The Invitation, entre outros, voltaram a ter relevância nas bilheterias, assim como também alguns filmes atuais que resgatam o terror clássico de casas assombradas, como Invocação do mal, Insidius, A Mulher de Preto, que também tiveram sucesso comercial, tem sido de praxe que, por ano,  ao menos dois ou três títulos consigam romper o gênero e atingir também outros públicos.

Foi assim com Get Out, com A Bruxa e agora, tudo indica que Marrowbone siga o mesmo caminho.

A trama traz a história dos Marrowbone (Rose e os filhos Jack, Jane, Billy e Sam), que para fugirem do patriarca da família, (um criminoso cruel e abusivo), migram da Inglaterra para os Estados Unidos, na antiga casa rural de Rose, no ano de 1969.

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A eminente morte da matriarca, vítima de uma doença, e a constante ameaça do retorno do pai que parece pairar sobre a família, eles fazem um pacto de permanecerem unidos e vão vivendo dia após dia quase que completamente isolados de outras pessoas da cidade, exceto pela presença de Allie, uma jovem vizinha moradora de uma fazenda próxima e de Tom, um ambicioso advogado responsável por cuidar dos trâmites relacionados à posse da propriedade dos Marrowbone.

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Com direção e roteiro do espanhol Sérgio G Sanchez, responsável pelo elogiadíssimo “O orfanato” (2007), e com um elenco repleto de jovens talentos, que tem George MacKay (Capitão Fantástico, de 2016), Mia Goth (de A Cura, 2016), Charlie Heaton (Strange Things), Kyle Soller (Anna Karenina, 2012) e a nova princesinha do terror, Anya Taylor-Joy (A bruxa, Fragmentado), o filme flerta com o terror clássico, e seu roteiro, que guarda mistérios e revelações surpreendentes até seus últimos minutos, é magistralmente escrito, coisa que só mesmo quem domina muito bem tal gênero, sabe fazer.

Daí talvez a opção de Sanches de além de escrever o roteiro, também dirigir o filme, pois dessa forma, consegue arrancar do elenco a exata carga emocional necessária pra cada cena, trazendo uma dramaticidade muito realista, que acaba tornando as atuações ainda mais autênticas e verossímeis.

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Mesmo que uma ou outra ideia utilizada não seja 100% original, (não me recordo qual foi a última ideia 100% original usada nesse gênero), o filme merece muito ser visto e receber os elogios que tem recebido (recentemente foi nominado ao premio Goya), pois como disse anteriormente, além das muitas qualidades técnicas (trilha sonora, fotografia, edição), ele ainda consegue capturar toda emoção e tensão sem precisar apelar para saídas e sustos fáceis.

Enfim, se você é um apreciador de uma boa história, mesmo não sendo um fã do gênero terror, precisa ver Marrowbone. E se você é fã do gênero, não pode de jeito nenhum perder esse filme maravilhoso, que prova mais uma vez que o gênero ainda tem diversas possibilidades a serem exploradas, basta que bons roteiros caiam nas mãos certas.

Veja o trailler legendado, clicando aqui

 

Eu, Daniel Blake (2016)

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A introdução do neoliberalismo à vida na Inglaterra (e também no mundo) continua sendo o maior golpe contra os direitos básicos de pessoas que são justamente, as que mais estão vulneráveis aos efeitos do capitalismo.

Em “Eu, Daniel Blake”, essa certeza se concretiza dura e contundente. Viúvo, idoso e doente, após sofrer um infarto, Daniel Blake (Dave Johns), acaba adentrando numa espécie de labirinto burocrático em busca dos mínimos direitos que possam lhe assegurar ao menos a sobrevivência.

Para quem acompanha a bela e regular carreira de Ken Loach, o filme tende a não surpreender tanto quanto pode surpreender pessoas que ainda não conhecem a filmografia do diretor e suas obras como Kes, Terra e Liberdade, Pão e Rosas, Jimmys Hall, entre outros. Ainda assim, dada à necessidade de se entender melhor o momento atual em que o mundo vive, (principalmente se pensarmos nas endêmicas crises econômicas das gestões neoliberais), este é mais um filme obrigatório também para os fãs de Loach.

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Com roteiro de Paul Laverty, parceiro de Loach em outros projetos, o filme segue o martírio em que se transforma a vida de um homem que se depara com um sistema perverso, cujo único objetivo parece ser o de querer vê-lo morto o mais rápido possível e assim, livrar os cofres públicos de mais custos. Isso sem contar as dificuldades de um mundo tecnologicamente excludente que cria ainda mais barreiras para alguns grupos, como é o caso dos idosos e dos que não tem acesso à toda informatização globalizante.

No meio dessa desesperada e angustiante jornada, Daniel ainda encontra espaço para ajudar outros em situação similar à dele, como é o caso de Katie (Halley Squires), mãe solteira com dois filhos, e que mesmo sendo cidadã em uma das maiores economias do mundo, num país que pra muitos é modelo de sociedade, chega ao extremo de passar fome.

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Tanto Daniel, Katie, como também outros personagens que compactuam das dificuldades sociais do país e fadados a perder o pouco que possuem, passam a contar apenas com a compaixão daqueles que lhe são iguais em desgraça. E essa ajuda mútua quase nunca é suficiente.

O mais louco disso tudo, é pensar que durante o estado de bem estar social, a economia inglesa e europeia se recuperou de tempos difíceis justamente por manter direitos básicos às populações necessitadas, que com tais direitos assegurados, acabavam girando a economia de forma muito mais dinâmica. Até chegar uma tal de Margareth Tatcher, primeira ministra do Partido Conservador inglês que governou o país de 1979 até 1990, e o final da história já sabemos.

Ainda que Daniel Blake não traga nenhuma novidade em termos de crítica ao neoliberalismo, o filme é importante por nos situar numa perspectiva muito atual, onde uma visão global das crises capitalistas não se mostre restrita apenas a países terceiro mundistas, mas também em economias já estabelecidas e que mínguam a cada nova etapa frente ao colapso total que se aproxima cada vez mais.

Cotação: rating_stars4meio

 

Trailler:

 

 

 

Hell or High Water (2016)

 

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Há algo além do forte calor nas tórridas paisagens do Texas, e com presença constante em várias cenas de “Hell or High Water”. São as placas publicitárias de diversos bancos oferecendo novas oportunidades de refinanciamento de hipotecas para pequenos e médios fazendeiros endividados e à beira de perderem suas propriedades.

O lado irônico, é que a situação dessas pessoas só chegou nesse ponto, justamente por conta das nefastas relações das mesmas instituições bancárias, com os governos que trabalham para a manutenção do ciclo neoliberal, que como bem frisou Noam Chomsky, “é a raiz comum das crises atuais”.

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E logo nas primeiras cenas, o recado está dado: Trata-se de um filme de vingança. Não a vingança usual de indivíduo contra indivíduo, mas sim, do indivíduo contra a Instituição que melhor representa a opressão coletiva; a Instituição bancária, responsável direta por praticamente toda desigualdade presente no mundo atual.

Tanner e Tobby (Ben Foster e Chris Pine respectivamente), são dois irmãos que diante da realidade de perder a propriedade da família, partem para afronta contra as instituições bancárias, representadas aqui por inúmeras pequenas agências espalhadas ao longo do estado.

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Praticando assaltos onde recolhem do caixa apenas notas pequenas para trocarem nos cassinos e não serem rastreados, os irmãos seguem com o único objetivo de conseguir o dinheiro suficiente para garantir a posse da propriedade da família aos filhos de Toby. E mesmo sabendo que o preço a ser pago por tamanha ousadia, muito provavelmente inclui a vida de ambos, eles não poupam tempo e nem esforço para atingir tal meta.

Do lado oposto temos a Lei, brilhantemente representada pelo personagem de Jeff Bridges, o incansável patrulheiro Marcus Hamilton, recém-viúvo e prestes a se aposentar, mas que vê no caso uma chance de adiar e por seu parceiro indígena Alberto (Gil Birmingham). Este segundo, alvo de constantes piadas racistas por parte de Marcus. Por sinal, Marcus acaba sendo mais um dos personagens inesquecíveis na vasta filmografia de Jeff Brigdes.  Com seu jeito grosseiro e provocativo, o personagem é responsável por trazer uma pequena dose de leveza ao filme.

Mas não se engane; a brutalidade é que rege a trama.

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Com uma trilha sonora arrasadora, composta por nada mais nada menos que Nick Cave em mais uma parceria com Warren Willis, o filme possuí inúmeros e respeitáveis atributos técnicos, que vão desde a bela, (mas sufocante) fotografia, atuações majestosas e um roteiro tão perfeito que é impossível entender como até hoje não havia sido filmado, mesmo existindo há alguns anos. Aliás, Taylor Sheridan é também autor de outro fantástico roteiro, usado no excelente Sicário de Denis Villeneuve.

Talvez seja difícil entender como um filme cru como esse, e que ainda apresenta uma crítica direta ao capital financeiro estadunidense, possa ter recebido tantas indicações ao maior premio da indústria cinematográfica, mas a verdade é que Hell or High Water possuí tantas qualidades que o mais estranho seria que ele passasse despercebido.

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Ou talvez,  seja apenas o inconsciente coletivo tomando forma para identificar com mais precisão quem é o mocinho e quem é o bandido.

Cotação

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Trailler:

Capitão Fantástico

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A ausência de posts no blog tem como principal justifica a falta de tempo pra escrever, mas também devo admitir que poucos filmes dos que tenho visto merecem algum texto ou indicações.

O grande alívio vem na forma de Capitão Fantástico, seríssimo candidato  a melhor filme do ano (ainda preciso ver mais dois ou três que não vi, antes de confirmar ).

Escrito e dirigido pelo norte americano Matt Ross, o filme conta a história de Bem (Viggo Mortensen) e de sua peculiar família, que adeptos a uma forma de vida alternativa, acabam tendo que explorar e conviver com um mundo exterior completamente distinto daquele a que se habituaram.

Vivendo por anos numa floresta, os seis filhos, com idades entre 4 e 17 anos, praticamente nunca tiveram contato com o mundo tal qual conhecemos, a não ser pelos livros (muitos dos quais clássicos), que são não apenas lidos, mas debatidos e analisados de forma crítica (algo como o avesso daquilo proposto pelo Movimento Escola Sem Partido). Além desse incentivo ao senso crítico, o pai ainda os treina fisicamente como se estes estivessem em algum reality de sobrevivência na mata.02-19

Porém, a morte da mãe (que estava internada com depressão), acaba fazendo com que eles deixem seu pequeno paraíso rumo ao mundo que há séculos, insistimos em chamar de “civilizado”.

Além de toda crítica direta ao capitalismo e ao modo de vida neoliberal, o filme também estende reflexões sobre outros temas mais específicos, como educação, religião, depressão, consumismo,infância/adolescência e autonomia. E ainda, de quebra, um pequeno tributo a Noam Chomsky!!!

E nem é preciso um olhar muito atento para notar que muito do que vemos no filme, tem de alguma forma, relação com o atual contexto mundial. Trump, Temer, Síria, EI.  Ora, não foram os caminhos escolhidos pelas políticas econômicas ditadas pelo capital que nos trouxeram problemas como obesidade, consumismo, alienação, escassez de recursos naturais, entre tantos outros? Seria este o  fim da história teorizado por Fukuyama?

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Não tenho dúvidas de que o filme vai sofrer ataques acusando-o de ideológico. Ainda que ao longo do ano, milhares de filme carreguem a bandeira da meritocracia, do consumismo, do patriotismo estadunidense, e ainda assim passam imunes a qualquer crítica nesse sentido, Capitão Fantástico não sairá ileso. Porém, sob um olhar mais apurado, mais crítico (algo um tanto raro na direita reacionária), o filme também possibilita notar algumas críticas à esquerda, o que o torna ainda mais especial.

Além do roteiro primoroso e das excelentes atuações, o filme conta com uma trilha sonora maravilhosa, que ainda reserva um momento surpreendente numa das cenas finais (uma das melhores cenas do filme), além dos muitos diálogos inteligentes que o tempo questionam a sociedade, mesmo quando o protagonista é um dos filhos de Bem, cuja idade não é mais que cinco anos.

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Pra quem procura algo fora do lugar comum (distante dos repetitivos e onipresentes filmes de heróis e outros blockbusters), Capitão Fantástico se apresenta como uma ótima pedida, que ao mesmo tempo em que entretém, também nos faz pensar e questionar não só a sociedade em que vivemos, mas também (e principalmente), nosso papel diante da necessidade de questionar e desconstruir velhos dogmas visando um mundo que seja no mínimo, mais igualitário.

Cotação

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Rincon de Darwin (2013)

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Até o mais controlado, organizado e sistemático ser humano vai passar ou sofrer algum tipo de mudança no decorrer de sua vida. Muitas vezes essa mudança pode acontecer gradualmente,  e outras, de forma traumática, repentina, e tanto numa das formas, como na outra, provavelmente será como um marco, um divisor de águas que poderá apontar novos caminhos, ou a retomada de um outro que há muito fora esquecido no tempo.

No Road movie uruguaio, “Rincon de Darwin”, os três personagens principais estão enfrentando algum tipo de mudança em suas vidas; Gastón acaba de ser abandonado pela noiva e ainda tenta reatar o relacionamento; Américo parece reticente em aceitar a chegada da velhice, enquanto Beto, se vê diante de uma nova realidade após anos morando na Espanha.

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Estes três homens, que pouco ou nada tem em comum, devem juntos, fazer uma viagem de carro pelo interior do Uruguai, rumo ao “Rincón de Darwin”, (local de que trata o título do filme e que Darwin visitou enquanto formulava a Teoria da Evolução das Espécies), a fim de tratar da documentação de uma casa herdada por Gaston. Américo vai como uma espécie de escrivão, e Beto, como o motorista da velha caminhonete que os conduz nessa pequena aventura que os farão se auto-reconhecerem ao mesmo tempo em que conhecem uns aos outros.

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Enquanto seguem o trajeto por belas paisagens rurais, os três personagens vão mostrando aos poucos os traços que os transformaram no que são hoje. As experiências, decepções, e principalmente os anseios do interior de cada um deles, transformam a viagem numa espécie de ponto de mutação, onde o que parecia imutável, passa a tomar forma, ainda que através de uma urgente necessidade.

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Diante de um roteiro simples, mas cheio de reflexões, Rincón de Darwin é o típico filme que deve agradar muita gente, principalmente aqueles que estão acostumados e são fãs de produções originadas de países latino americanos. Alguns dramas, humor refinado, boas atuações, fotografia e trilha sonora eficientes, além de uma curiosa (porém precisa), narração em off relatando os escritos do naturalista Charles Darwin, fazem deste um belíssimo exemplo da maestria de nossos hermanos em retratar certas particularidades do homem moderno.

Cotação:rating_stars4

Trailler:

 

 

 

 

 

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